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Sete Estrelo

Um diário de navegação, à deriva

Sete Estrelo

"A Folded Wish" - A Lenda dos Mil Tsurus

01.06.20 | Silêncios

 

 

Artmoeba Productions agradeceu as centenas de mensagens que recebeu, mas  veio esclarecer que este vídeo, iniciado em Janeiro de 2019, não estava relacionado com a Corona Vírus, mas era uma abordagem à influência da tuberculose nos cidadãos japoneses na década de 1940.

 

Neste tempo de grande sofrimento e privação, a crença na dobragem dos mil Tsurus, continua viva e fez muito sentido, sendo (como o arco-íris) uma realidade em muitos países.

 

A CRENÇA

 

Os japoneses acreditam que a pessoa que fizer mil tsuru’s com o pensamento focado num desejo, vê-lo-á realizado. Por este motivo muitos japoneses fazem mil origamis de tsuru e deixam-nos em templos para que os seus pedidos sejam realizados.

Outra crença relacionada com o mesmo tema é quando uma pessoa está doente, quanto mais tsuru’s dobrar, mais rápido será a sua recuperação, por isso é comum os doentes receberem origamis dos amigos e parentes que os visitam.

 

A lenda das “Mil penas de Tsuru

 

Conta a lenda que um camponês muito pobre vivia numa cabana humilde e o seu único alimento eram algumas verduras que colhia de sua terra já exausta. Um dia, enquanto tentava plantar mais longe por achar a terra menos árida, encontrou uma cegonha com uma asa partida. A ave não podia voar em busca de alimento, estava fraca e à beira a morte. O homem cheio de compaixão pelo seu sofrimento, agarrou na cegonha e levou-a para sua cabana. Lá cuidou dela e com paciência colocou no seu bico algumas sementes. Com o passar dos dias, a cegonha melhorou e o camponês libertou-a. A sua bondade tinha-a livrado da morte.

Alguns dias depois, uma mulher muito bonita apareceu na cabana pedindo que lhe desse abrigo por uma noite. O camponês, pessoa de bom coração, deixou-a ficar. A beleza dela fê-lo acreditar que deixá-la dormir na sua humilde casa, era realmente uma honra.

Após aquela noite os dois se apaixonaram e casaram. A noiva era delicada, carinhosa e tinha tanta disposição para o trabalho quanto beleza. Assim viviam muito felizes. Mas para o camponês, que já tinha muita dificuldade quando vivia sozinho, ficou mais difícil cobrir as despesas da vida de casado. Preocupada, a esposa disse ao marido que produziria um tecido especial. Tecer era comum naquela época. Após isso ele poderia vendê-lo para ganhar dinheiro. No entanto, alertou-o que o seu trabalho teria de ser feito em segredo, e que ninguém, nem mesmo ele, poderia vê-la tecer.

Então começou a trabalhar nos fundos de casa, onde se trancou durante três dias. O marido só ouvia o som do tear. A curiosidade e a saudade que tinha da sua bela mulher faziam os dias muito duros. Quando o som do tear parou, ela saiu com um lindo tecido, de textura delicada, brilhante e com desenhos exóticos, nos braços. A que a tecelã deu o nome de “mil penas de Tsuru”.

O homem levou o tecido para a cidade. Os comerciantes ficaram surpreendidos e lutaram entre si para comprá-lo. Um pagou muitas moedas de ouro por ele. O pobre homem não podia acreditar que a sorte começara sorrir-lhe. Desde então, a esposa passou a trabalhar no valioso tecido outras vezes. O casal podia, com o fruto da venda, viver confortavelmente. Porém, a esposa, com o passar do tempo tornava-se mais magra. Estava muito cansada e a fraqueza, quase a impedia de ficar em pé. Deixou de tecer.

O camponês amava-a muito. No entanto, tinha sido tocado pela cobiça. Contraíra algumas dívidas na cidade e pediu-lhe para tecer mais uma vez. No princípio ela não aceitou, mas perante a insistência do marido, acedeu. Não obstante, no terceiro dia, como era costume, não saiu e o homem ficou preocupado. Passaram-se outros três, sem que ela aparecesse e isso começou a deixar o marido desesperado. No sétimo dia, sem saber o que fazer, quebrou a promessa. 

Para sua surpresa, não era a mulher que tecia. Arqueada sobre o tear encontrava-se uma cegonha, muito parecida com a que tinha ajudado. O homem não dormiu à noite, pensando o que teria acontecido com a mulher que amava. Amaldiçoava-se por ter sido insaciável. Ter obrigado a sua querida esposa a tecer mais uma vez.

Na manhã seguinte, a porta da cabana abriu-se. O camponês com o coração aos saltos, fixava a porta, esperançado em ver a esposa sair com vida. A mulher saiu da cabana com profundas olheiras, trazendo o último tecido nas mãos trêmulas. Entregou-o ao marido e disse: “Agora que viste a minha verdadeira forma, não posso mais ficar contigo”.

Depois de dizer estas palavras, transformou-se e voou,  exibindo um lindo rastro de pó cintilante, deixando o camponês, inconsolável, em eternas lágrimas de saudade.

 

Estátua em homenagem a Sadako em Hiroshima

Sounds of Peace: A Joyful Noise in Honoka'a - Ke Ola Magazine

 

 A História de Sadako Sasaki

 

The Hiroshima Child - Sadako Sasaki Statue In Seattle Stock Photo ...

Estátua (The Hiroshima Child) -  em Seatle

 

 



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